Ela está enraizada em nossa fé, em nossas colheitas e em nossa memória coletiva. Guarda os ossos de nossos ancestrais, o suor de nossos agricultores e as esperanças das gerações que ainda virão. A terra é vida. Mas hoje, essa terra está sendo devastada — não apenas por bombas, mas por um sistema colonial que busca nos eliminar por completo.
Neste Dia da Terra Palestina, estamos mais uma vez diante do horror do genocídio. Em 18 de março, Israel retomou seu ataque militar a Gaza, matando mais de 500 palestinos em poucos dias. Desde outubro de 2023, mais de 62.614 palestinos foram assassinados. Milhares continuam desaparecidos sob os escombros. Essa é a definição clássica de extermínio sistemático e genocídio, e não há como negar.
As forças israelenses retomaram Gaza, ocupando o corredor de Netzarim para dividir o território ao meio. Essa fragmentação visa desmantelar a vida, desmantelar a governança e desmantelar Gaza. O objetivo de Israel é transformar uma pátria em uma prisão inabitável, reescrevendo e apagando o mapa da Palestina.
Esse novo ataque ocorre após Israel violar o cessar-fogo, bloquear ajuda humanitária e se recusar a qualquer avanço rumo a um futuro em que os palestinos governem sua própria terra. Enquanto os palestinos cumpriram sua parte no cessar-fogo, Israel escalou a violência. Bombardeou. Sitiou. Negou qualquer possibilidade de reconstrução, muito menos de justiça. Muitos são cúmplices por não garantir justiça.
Desde 2 de março,
nenhuma ajuda humanitária entrou em Gaza. Mais de
1.535 caminhões estão parados no Egito, e
311.000 pallets de ajuda estão retidos na região. Os postos de fronteira de Gaza estão fechados. Seus centros de armazenamento estão em novas zonas de evacuação. Sua infraestrutura está sendo metodicamente desmantelada.
Isso não é apenas uma falha de coordenação, mas uma
logística de extermínio. É uma política deliberada para matar de fome e sufocar a população. Gaza está sendo privada de comida, combustível, água, suprimentos médicos e até mesmo dos meios para enterrar seus mortos. O que acontece em Gaza não é separado do projeto colonial de Israel — que vai além de Gaza —, mas é o cerne dele. É uma aceleração do "
genocídio incremental" no coração da colônia.
For decades, Israel has weaponized the land—bulldozing orchards, poisoning wells, and uprooting the ecosystems Palestinians have nurtured for generations. It builds over ruins, plants foreign trees where olives once stood, and calls it development. But there is nothing green about occupation.
O que acontece em Gaza é
ecocídio. Uma destruição sistemática da terra, da água e do ar para tornar a vida palestina impossível. É realizado com bombas, bloqueios e tratores — sempre sob o falso pretexto de "
segurança" ou "
defesa". É parte de um plano politicamente arquitetado, um padrão que se repete desde antes de 1948. A destruição da base ecológica da existência sempre foi uma ferramenta tática para opressão sistêmica e expropriação.
E o mundo assiste. Enquanto as temperaturas sobem e os desastres se multiplicam, uma "transição justa" não se materializa em Gaza. Os mesmos governos que negam financiamento climático ao Sul Global estão alimentando o fogo na Palestina, fornecendo armas, combustível ou legitimidade política.
Uma transição que ignora o genocídio não é justa.Soluções climáticas em terras roubadas não são ação climática.O silêncio não é neutralidade — é cumplicidade.
Países que se dizem moralmente superiores — como os do Ocidente — lavam as mãos diante de seu papel em sustentar uma ordem global violenta e injusta. Os recentes cortes de ajuda externa nos
EUA,
Reino Unido,
França,
Alemanha, Suécia e outros reforçam a indiferença do Norte Global diante do sofrimento que causou por séculos de colonialismo. Líderes políticos continuam a mostrar desprezo pelos palestinos em declarações fracas que tratam nossas mortes como inevitáveis — ou pior, como
justificadas.
Nenhuma resposta humanitária pode desfazer um genocídio e trazer de volta mais de 62.614 vidas. Nenhuma reconstrução pode florescer em Gaza após a destruição. Nenhuma transição justa pode ser construída sobre a ocupação. O problema começa com um sistema que se alimenta de opressão e expropriação, e a crise climática não será resolvida dentro de um império racializado, militarizado e movido a combustíveis fósseis.
Os palestinos não são recipientes passivos de ajuda. Não somos estatísticas. Somos sobreviventes, agricultores, construtores, mães, estudantes e organizadores. Estamos resistindo não apenas por nós mesmos, mas pelo mundo. Não há justiça — ecológica, social ou de qualquer tipo — sem libertação palestina.
Sempre soubemos que justiça não virá daqueles que lucram com nossa opressão. Que "desenvolvimento" sob colonialismo nada mais é do que o gerenciamento do sofrimento. E que libertação não é uma metáfora — é uma exigência.